terça-feira, agosto 03, 2010

Estou à beira de um ataque de nervos...

Para não variar... estamos no dia 3 de Agosto e ainda não consigo sequer saber quando são os concursos...cooooooooooooomo éeeeeee pooooooooooossível!!!! Continuam a brincar com a vida dos Professores... 

domingo, julho 11, 2010

Cara de Anjo Mau




Os teus olhos são cor de pólvora e o teu cabelo é o rastilho

O teu modo de andar é uma forma eficaz de atrair sarilho

A tua silhueta é um mistério da criação

E sobretudo tens cara de anjo mau


Cara de anjo mau, tu deitas tudo a perder

Basta um olhar teu e o chão começa a ceder

Cara de anjo mau, contigo é fácil cair

Quem te ensinou a ser sempre a última a rir?


Que posso eu fazer ao ver-te acenar a ferida universal?

Que posso eu desejar ao avistar tão delicioso mal?

Que posso eu parecer quando me sinto fora de mim?

Que posso eu tentar senão ir até ao fim?


Cara de anjo mau, tu deitas tudo a perder

Basta um olhar teu e o chão começa a ceder

Cara de anjo mau, contigo é fácil cair

Quem te ensinou a ser sempre a última a rir?


Por ti mandava arranjar os dentes e comprava um colchão


Por ti mandava embora o gato por quem tenho tanta afeição


Por ti deixava de meter o dedo no meu nariz


Por ti eu abandonava o meu País


Cara de anjo mau, tu deitas tudo a perder

Basta um olhar teu e o chão começa a ceder

Cara de anjo mau, contigo é fácil cair

Quem te ensinou a ser sempre a última a rir?

Romaria




E de sonho e de pó


O destino de um só

feito eu perdido em pensamento

sobre o meu cavalo

É de laço e de nó

De gibeira ou jiló

Dessa vida cumprida a sol



Sou caipira pirapora nossa

Senhora de Aparecida

Ilumina a mina escura

e funda o trem da minha vida

Sou caipira pirapora nossa

Senhora de Aparecida

Ilumina a mina escura

e funda o trem da minha vida



O meu pai foi peão

Minha mãe solidão

meus irmãos perderam-se na vida

a custa de aventuras

Descasei, joguei

investi, desisti

Se há sorte eu não sei nunca vi.



Sou caipira pirapora nossa

Senhora de Aparecida

Ilumina a mina escura

e funda o trem da minha vida

Sou caipira pirapora nossa

Senhora de Aparecida

Ilumina a mina escura

e funda o trem da minha vida



Me disseram porém

que eu viesse aqui

pra pedir de romaria e prece

Paz nos desaventos

Como eu não sei rezar

Só queria mostrar

Meu olhar, meu olhar, meu olhar



Sou caipira pirapora nossa

Senhora de Aparecida

Ilumina a mina escura

e funda o trem da minha vida

Sou caipira pirapora nossa

Senhora de Aparecida

Ilumina a mina escura

e funda o trem da minha vida

Calçada de Carriche



Gustav Klint ( é despropositada a sua ligação ao texto de António Gedeão...é apenas uma visão totalmente diferente da mulher... achei interessante contrapor as perspectivas)



Luísa sobe, sobe a calçada,

sobe e não pode que vai cansada.



Sobe, Luísa, Luísa, sobe,

sobe que sobe, sobe a calçada.



Saiu de casa

de madrugada;

regressa a casa

é já noite fechada.

Na mão grosseira,

de pele queimada,

leva a lancheira

desengonçada.



Anda, Luísa, Luísa, sobe,

sobe que sobe, sobe a calçada.



Luísa é nova,

desenxovalhada,

tem perna gorda,

bem torneada.

Ferve-lhe o sangue

de afogueada;

saltam-lhe os peitos

na caminhada.



Anda, Luísa. Luísa, sobe,

sobe que sobe, sobe a calçada.



Passam magalas,

rapaziada,

palpam-lhe as coxas

não dá por nada.



Anda, Luísa, Luísa, sobe,

sobe que sobe, sobe a calçada.



Chegou a casa

não disse nada.

Pegou na filha,

deu-lhe a mamada;

bebeu a sopa

numa golada;

lavou a loiça,

varreu a escada;

deu jeito à casa

desarranjada;

coseu a roupa

já remendada;

despiu-se à pressa,

desinteressada;

caiu na cama

de uma assentada;

chegou o homem,

viu-a deitada;

serviu-se dela,

não deu por nada.



Anda, Luísa. Luísa, sobe,

sobe que sobe, sobe a calçada.



Na manhã débil,

sem alvorada,

salta da cama,

desembestada;

puxa da filha,

dá-lhe a mamada;

veste-se à pressa,

desengonçada;

anda, ciranda,

desaustinada;

range o soalho

a cada passada,

salta para a rua,

corre açodada,

galga o passeio,

desce o passeio,

desce a calçada,

chega à oficina

à hora marcada,

puxa que puxa, larga que larga,

toca a sineta

na hora aprazada,

corre à cantina,

volta à toada,

puxa que puxa, larga que larga,



Regressa a casa

é já noite fechada.

Luísa arqueja

pela calçada.



Anda, Luísa, Luísa, sobe,

sobe que sobe, sobe a calçada,

Anda, Luísa, Luísa, sobe,

sobe que sobe, sobe a calçada.



(António Gedeão)

sábado, julho 03, 2010


PS:... ( sem conotações politicas) ZECA AFONSO

Vampiros

No céu cinzento
Sob o astro mudo
Batendo as asas
Pela noite calada
Vem em bandos
Com pés veludo
Chupar o sangue
Fresco da manada

Se alguém se engana
Com seu ar sisudo
E lhes franqueia
As portas à chegada
Eles comem tudo
Eles comem tudo
Eles comem tudo
E não deixam nada
A toda a parte
Chegam os vampiros
Poisam nos prédios
Poisam nas calçadas
Trazem no ventre
Despojos antigos
Mas nada os prende
Às vidas acabadas

São os mordomos
Do universo todo
Senhores à força
Mandadores sem lei
Enchem as tulhas
Bebem vinho novo
Dançam a ronda
No pinhal do rei


Eles comem tudo
Eles comem tudo
Eles comem tudo
E não deixam nada
No chão do medo
Tombam os vencidos
Ouvem-se os gritos
Na noite abafada
Jazem nos fossos
Vítimas dum credo
E não se esgota
O sangue da manada


Se alguém se engana
Com seu ar sisudo
E lhes franqueia
As portas à chegada
Eles comem tudo
Eles comem tudo
Eles comem tudo
E não deixam nada
Eles comem tudo
Eles comem tudo
Eles comem tudo
E não deixam nada

domingo, junho 20, 2010

Miauuuuuuuuu

(…) – Dentro de cada um há o seu escuro. e nesse escuro só mora quem lá inventamos. Agora me entende?
- Não estou claro, Dona Gata.
- Não é você que mete medo. Somos nós que enchemos o escuro com nossos medos.


Mia Couto, O gato e o escuro, um livro para crianças que não me canso de ler...